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PMs que faziam segurança em boate são presos por homicídio

In Saiu na imprensa on junho 8, 2010 at 4:53 pm

Um jovem de 26 anos, sem antecedentes criminais, foi morto por um policial militar que estava trabalhando como segurança em uma casa noturna de Porto Alegre. Dois PMs envolvidos, que a Brigada Militar se negou a identificar ontem, foram presos em consequência do episódio.

Wagner Boeira Cardoso foi encontrado com um tiro na cabeça na esquina das ruas Dr. Timóteo e Tobias da Silva, a poucos metros da casa noturna Roseplace, de onde havia saído por volta das 3h de ontem. Ele e um amigo teriam sido espancados pelos PMs travestidos de seguranças e fugido a pé.

Wagner caiu e, conforme testemunhas, levou um tiro na cabeça, a pouca distância. Morreu no local. O amigo que estava com ele ficou em estado de choque e não prestou depoimento ontem. No final da tarde, o PM autor do disparo, que trabalha na parte administrativa do 9º BPM, foi preso por soldados do mesmo batalhão, perto de Osório, onde teria se refugiado. Um comparsa, também vinculado ao 9º BPM, foi preso em Porto Alegre. Ambos foram levados para a Delegacia de Homicídios, autuados em flagrante e, em seguida, transferidos para a Penitenciária da Brigada Militar.

– Ele alegou que foi um disparo acidental, mas pessoas que estavam no local deram outra versão. A Justiça vai decidir, provavelmente com base em filmagens feitas no local e na perícia – informou o comandante do 9º BPM, tenente-coronel Rogerio Maciel.

O comando de policiamento da Capital disse que os nomes dos PMs não serão informados neste momento. Segundo o comandante, coronel Antero Batista, a corporação vai aguardar um procedimento interno ser instaurado.

– Neste momento, não achamos conveniente divulgar os nomes – disse Batista.

Wagner trabalhava como auxiliar-administrativo na Capital, era solteiro e morava com os pais no Jardim Ingá, bairro Passo das Pedras. Tinha dois irmãos. O enterro está marcado para as 14h de hoje no Cemitério Saint-Hilaire, em Viamão. Ele foi ao Roseplace com dois amigos de infância. Na saída, enquanto um deles teria ido ao banheiro, Wagner e o outro saíram. A confusão começou na portaria. Dois seguranças teriam espancado a dupla, que correu.

Wagner teria sido alcançado pelos seguranças. Um deles fez o disparo com uma pistola .40, calibre usado pela Brigada Militar. Seu amigo conseguiu fugir. Os dois sobreviventes garantem desconhecer os motivos da agressão e do assassinato.

– O Wagner era calmo, nunca envolveu-se em confusão, nem multa de trânsito tinha. Isso não pode ficar assim, pois é coisa de bandido, não de policial militar – protestou uma prima da vítima.

(Reportagem: Renato Vaga – Publicado em Zero Hora de 07/06/2010)

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